quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Casarões

Casarões
Esses velhos casarões
santuários de famílias,
enterraram tantos mortos,
acolheram tantas vidas...
Os pisos eram gastos pelos passos
e da vida se podia adivinhar
as poucas variantes do Destino:
nascer, parir, enlutar.
Bodas se contratavam
na penumbra do escritório
que em heranças e partilhas
se transformava em cartório.
Risos escapavam das varandas
em dias de confrarias.
O casarão se enfeitava
de amor, se amor havia...
Quando o dono expirava
ninguém pensava em vendê-lo.
As paredes respiravam
um passado de segredos.
Esses velhos casarões
santuários de famílias,
enterraram tantos mortos,
acolheram tantas vidas...
Os pisos eram gastos pelos passos
e da vida se podia adivinhar
as poucas variantes do Destino:
nascer, parir, enlutar.
Bodas se contratavam
na penumbra do escritório
que em heranças e partilhas
se transformava em cartório.
Risos escapavam das varandas
em dias de confrarias.
O casarão se enfeitava
de amor, se amor havia...
Quando o dono expirava
ninguém pensava em vendê-lo.
As paredes respiravam
um passado de segredos.
SÓ DEPOIS...

SÓ DEPOIS...
Ele sempre queria
seduzi-la
e ela dizia: só depois.
Ele queria cobri-la
de safiras,
e ela repetia: só depois.
Um dia ela mudou-se
para a Índia
e ele aqui ficou.
Mas tomou um barco
nas Antilhas
e para a Índia ele rumou.
O barco deu naufrágio
numa ilha
e muitos anos ele lá ficou.
Ao final ele encontrou-a
num serralho de um potentado
que a seqüestrou.
E quando ele a pediu
em casamento, ela respondeu
baixinho num lamento:
só depois...
Ele sempre queria
seduzi-la
e ela dizia: só depois.
Ele queria cobri-la
de safiras,
e ela repetia: só depois.
Um dia ela mudou-se
para a Índia
e ele aqui ficou.
Mas tomou um barco
nas Antilhas
e para a Índia ele rumou.
O barco deu naufrágio
numa ilha
e muitos anos ele lá ficou.
Ao final ele encontrou-a
num serralho de um potentado
que a seqüestrou.
E quando ele a pediu
em casamento, ela respondeu
baixinho num lamento:
só depois...
Herança de Pedra

Herança de Pedra
Os campônios da Calábria
semeiam a pedra dura.
Da pouca terra das falhas
tiram as uvas maduras
No ventre pétreo da terra
as magras lavras revolvem.
E cantam enquanto plantam,
e cantam mais quando colhem...
Em Petra cavaram templos
graníticos na cidade.
A rocha viva escavada
não é mais pedra: é arte.
Cristo pregou sermões
nas pedreiras escarpadas.
A humanidade esqueceu,
mas a pedra ainda fala.
Os campônios da Calábria
semeiam a pedra dura.
Da pouca terra das falhas
tiram as uvas maduras
No ventre pétreo da terra
as magras lavras revolvem.
E cantam enquanto plantam,
e cantam mais quando colhem...
Em Petra cavaram templos
graníticos na cidade.
A rocha viva escavada
não é mais pedra: é arte.
Cristo pregou sermões
nas pedreiras escarpadas.
A humanidade esqueceu,
mas a pedra ainda fala.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
O FRADINHO ANGÉLICO

O FRADINHO ANGÉLICO
A Sacra Família ia
num burro pelo deserto
sem saber que a observava
o pincel de Fra Angélico.
O Frade espalhava as cores
mas a devoção pintava,
iluminando seu claustro
com as cores da alvorada.
O mais singelo dos mestres
que às artes se entregava
transfigurou o convento
onde com a Virgem sonhava.
Quando o Beato morreu
seus anjos vieram buscá-lo
para levá-lo aos Céus
onde a Virgem o esperava.
A Sacra Família ia
num burro pelo deserto
sem saber que a observava
o pincel de Fra Angélico.
O Frade espalhava as cores
mas a devoção pintava,
iluminando seu claustro
com as cores da alvorada.
O mais singelo dos mestres
que às artes se entregava
transfigurou o convento
onde com a Virgem sonhava.
Quando o Beato morreu
seus anjos vieram buscá-lo
para levá-lo aos Céus
onde a Virgem o esperava.
Agora

Queria que você me amasse
com um ímpeto rude e insuspeito.
Queria me sentir fera domada,
mas com a audácia compensada com desvelos.
No início dividíamos o prazer
de nos sentirmos bastante à vontade.
Mas parece que não era bem assim:
o desejo se escondia na amizade.
Me negaste tanto tempo o teu corpo
me impedindo de colher da tua safra.
e porisso não bebemos do amor
o mesmo vinho, na mesma taça.
Preciso colocar as fantasias
a esperar na soleira da memória.
Um dia você se chegará
e me dirá “vem, te quero agora”.
com um ímpeto rude e insuspeito.
Queria me sentir fera domada,
mas com a audácia compensada com desvelos.
No início dividíamos o prazer
de nos sentirmos bastante à vontade.
Mas parece que não era bem assim:
o desejo se escondia na amizade.
Me negaste tanto tempo o teu corpo
me impedindo de colher da tua safra.
e porisso não bebemos do amor
o mesmo vinho, na mesma taça.
Preciso colocar as fantasias
a esperar na soleira da memória.
Um dia você se chegará
e me dirá “vem, te quero agora”.
Tua

TUA
Teu jeito me obrigou a ser tua.
Não foi longa a conquista: foi
só seguir a estrela pela rua.
Ensinastes minhas mãos
a desejar-te.
Meus pés vão a ti
em procissão.
Meus lábios se queimam
no calor da tua pele
em combustão.
Antes não era tua.
Hoje sou só tua.
Que ninguém rompa
o isolamento do que
reservei só para ti.
Estou pronta, sempre pronta
para quem
me fez assim.
Teu jeito me obrigou a ser tua.
Não foi longa a conquista: foi
só seguir a estrela pela rua.
Ensinastes minhas mãos
a desejar-te.
Meus pés vão a ti
em procissão.
Meus lábios se queimam
no calor da tua pele
em combustão.
Antes não era tua.
Hoje sou só tua.
Que ninguém rompa
o isolamento do que
reservei só para ti.
Estou pronta, sempre pronta
para quem
me fez assim.
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