quarta-feira, 21 de junho de 2017

O RÁDIO

Da pessoa que trabalha
o rádio é um bom amigo:
deixa livre mãos e olhos
- ocupa só os ouvidos.
Ele fica alí na banca,
entre o torno e a marmita.
Se, em casa, ele sussura,
na oficina ele grita.
Para o pobre operário
é tijolo-maravilha,
que ele encosta no ouvido
com os olhos lá na catinga.
Verdadeiro patrimônio,
como um dote de família.
Da penúria é tesouro,
como uma herança de pilhas.
Amigo da costureira, do cego
e do motorista
é tão gostoso ouvi-lo
tocando a Ave-Maria.

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