Que idéia mais louca:
- mudar de casa!
sem, nem mesmo, saber
como nos receberá
a nova residência.
Não, prefiro permanecer
nesse meu doce e pequeno espaço
que já me presenteou
com apoteoses,
quando o sol entrava pela janela.
E, também, como esquecer
as lágrimas que
escorreram das paredes
e o medo que se escondia
atrás das portas?
Como abandonar
o eco das vozes amigas
e deixar que sejam pisadas,
por estranhos,
no assoalho.
Uma mudança
é um transplante
de som, de cheiros e de ventos
numa operação
que pode comprometer
todo o organismo.
Ocas, iglus, palácios,
simples conjugados
são, todos, colos e úteros
da vida.
Não deveriam, nunca,
ser trocados.
sábado, 14 de maio de 2016
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Um comentário:
Denise, as três ultimas estrofes do teu poema dialogaram comigo dado ao valor dos detalhes, das rugas, das superfícies íntimas de nossas antigas moradas (abrigos, também, da alma). O espaço companheiro torna-se cúmplice do andar, falar, dos segredos, dos medos e das certezas cotidianas. Qualquer espaço, mesmo o virtual nos caminhos da web, onde nossas marcas criam vida. Qualidade em cada verso do seu bom poema. Abraços fraternos.
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