Escute a voz das pedras,
dialogue com a argila,
arranque do seu silêncio
toda a verdade da vida.
Saiba extrair da madeira
a íntima confissão:
quem a cortou da floresta,
quem a moldou com o formão?
Ao comportado tijolo
peça lições de nobreza
- sua solidez maciça
é repleta de certezas.
O reboco te dirá
que nele se acumulam,
unhas,pele, sangue e dor
das grossas mãos que o misturam.
Do muro, ouça o lamento.
Da torre, sinta o orgulho.
Pontes sabem conciliar.
Cavernas, sofreram estupro.
A vida das Catedrais,
a voz dos seus velhos sinos
são testemunhos do Tempo,
do Homem e seu Destino.
Fique amigo das cidades,
retribua o seu abrigo.
Sinta o vento em suas ruas,
tente entender seus ruídos.
Ouça, atento, toda a estória
que te contam os elementos.
Penetre em suas veias,
ausculte seus sentimentos.
Na matéria corroída
a ferida é o remendo.
A circulação do sangue
às vezes, é barro e cimento.
Tudo vive, tudo morre,
só a pedra é que não passa.
Mas impregnado nela
pulsa o sonho de uma raça.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
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