quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

POESIA DE AVENTAL



Poesia de avental,
poesia trabalhadeira,
cozinhando na panela
as minhas próprias certezas.
Poesia de uniforme,
de quem limpa a sujeira,
de quem abre uma porta
e espera a vida inteira...
Poesia, te quero assim:
vestida de macacão,
de botas e capacete,
com uma rosa na mão.
Humilde desejo os versos
- estrofes tão corriqueiras -
como quem veste jaleco
e é, da vida, enfermeira.
Com tuas calosas mãos,
tão operosas e nobres,
conduzirás os soberbos
à opção pelos pobres.

Poesia bem engajada
- não a que canta o amor.
Poesia em carne viva,
mais espinho do que flor.


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